Jasmine de los Santos sempre fez o que era esperado dela. Bonita e popular, ela estudou muito, deixou seus pais imigrantes filipinos orgulhosos e está pronta para colher os frutos do seu esforço na forma de uma bolsa integral para a faculdade.E então tudo se desfaz. Um convite acadêmico força seus pais a revelarem a verdade: seus vistos expiraram há anos. Toda a sua família está no país ilegalmente. Isso significa que não terá bolsa nenhuma, talvez nem faculdade nenhuma e a ameaça muito real da deportação.
Pela primeira vez, Jasmine se rebela, experimentando todos os prazeres adolescentes para os quais ela nunca teve tempo no passado. Logo quando está tentando entender esse novo mundo, ele é virado de ponta-cabeça por Royce Blakely, o filho charmoso de um congressista de alto escalão. Jasmine já não tem mais ideia de onde, nem sequer se se encaixa no sonho americano. Tudo o que sabe é que não vai desistir. Porque quando as regras pelas quais você vivia não se aplicam mais, a única coisa a fazer é inventar suas próprias regras.

Jovem adulto, romance | 384 páginas | Editora HarperCollins Brasil 

Jasmine de los Santos é uma garota filipina que mora nos Estados Unidos com família desde que tinha apenas nove anos. Pelo fato de ser imigrante, o pai e a mãe sempre deixaram claro que ela tinha que trabalhar duas vezes mais que um americano se quisesse ser tratada como um. Por isso durante longos anos ela sacrificou festas, saídas com os amigos e namoros para conseguir ser a melhor aluna da escola, presidente do corpo estudantil e capitã do time de cheerleaders.
E finalmente a recompensa chega quando ela ganha uma bolsa nacional do Prêmio Nacional de Bolsas dos Estados Unidos, o prêmio mais importante dos EUA pois garante uma bolsa completa de estudos para qualquer universidade que o aluno queira ir, e somente 300 pessoas são contempladas com isso, e Jas é uma delas.
Sentindo que seu Sonho Americano está prestes a começar ela vai direto contar a novidade para a família, principalmente seus pais que sempre a incentivaram a se esforçar nos estudos. Mas a recepção calorosa não é o que ela recebe. Na verdade sua mãe e seu pai ficam aterrorizados e lhe jogam uma bomba: seus vistos temporários para ficarem no país expiraram há anos e eles estão ilegalmente nos Estados Unidos.
De repente todas as coisas pelo qual Jasmine trabalhou tanto não fazem mais sentido. Ela não poderia se inscrever em nenhuma universidade, não poderia tirar carteira e nem votar, quanto mais pedir um empréstimo estudantil. Arrasada mas disposta a lutar por tudo aquilo que trabalhou, ela vai fazer de tudo para tentar ganhar um Green Card e com a ajuda de Royce Blakely, Jas acredita que pode conseguir. O problema é que Royce é filho de um importante Congressista, um que é totalmente contra imigrantes ilegais no país, e quanto mais tempo ela  passa com ele, mais ela se deixa envolver.

Que livro minha gente!!! Você pode pensar que por ser um jovem adulto o livro soa bobo ou infantil mas é totalmente diferente do que a gente espera. De alguma forma ele me lembrou O ódio que você semeia, apesar de apresentar temas diferentes eles batem na mesma tecla. Eu confesso que nunca li nada sobre imigração, mas já vi muitos documentários sobre latinos-americanos que se arriscam a passar pela fronteira entre México e Estados Unidos só para conseguir uma perspectiva de vida melhor.
O livro fora escrito no ano de 2016 enquanto os EUA ainda tinha o Obama como presidente, então conseguir uma lei de apoio à legalização dos imigrantes era algo mais tangível do que estamos vendo hoje, já que infelizmente temos um presidente xenofóbico que se acha superior dos que as outras pessoas. Há muitas controversas mas eu apoio inteiramente as pessoas que dão oportunidades as outras independentes de onde elas nasceram ou de onde vieram. E é triste ver o quanto o mundo de Jas se abala ao ela descobrir estar no país ilegalmente. Apesar de ser filipina, Jas se considera uma americana, é ali que ela quer ficar, ali é onde ela fez amigos, imaginou um futuro. Ver o seu sonho destruído por causa de um papel que diz quem ela é ou pode ser é revoltante, e a autora traz tantas críticas a isso que você fica indignado mas também louco para tentar ajudar, porque cara, muitas pessoas passam por essa mesma situação, trabalhando com documentos falsos com medo de serem deportados há qualquer momento (isso pode acontecer até se eles levarem uma multa de trânsito). E então fica a questão: continuar vivendo na surdina, arrumar sub-empregos, desistir da faculdade e de uma oportunidade melhor para conseguir permanecer no país ou jogar tudo para o alto, assumir o erro e tentar a sorte?
Jas e sua família vão ter que tomar essas decisões que não somente irão afetar suas vidas mas o futuro que cada um tinha reservado para si. Jasmine é uma personagem fofa, incrível, que conseguimos facilmente entender. Ela é esforçada, trabalhadora, sonhadora e a gente se identifica tanto com ela que dá vontade de abraçá-la. Em meio a essa grande confusão a personagem vai sofrer uma crise de identidade, descobrir quem ela realmente é, a que país pertence, como ela se sente. É extraordinário o leitor passar isso com a protagonista porque conseguimos entender suas angústias, seus medos e anseios ao mesmo tempo que torcermos para tudo dar certo porque ela é aquele tipo de pessoa que merece.
A relação da Jas com a família é muito legal de ver e foi muito bem aprofundada. Eles brigam, discutem, brincam mas sempre estão unidos para o que der e vier. É óbvio o quanto esse apoio familiar é uma das coisas mais importantes quando se está passando por uma situação semelhante a deles, e ver o quanto Jas não desiste mesmo com o desânimo e as implicâncias do pai, dá um calor renovado a leitura. Ela acredita em uma solução e não vai desistir até conseguir encontrá-la.
Ah, o que dizer do Royce? Royce é aquele personagem que você quer guardar num potinho. Ele é incrível, inteligente, fofo e sempre está lá para Jasmine. No início eu achei que o envolvimento deles iria ser muito rápido mas eles me lembraram muito Peter e Lara Jean e foi impossível não torcer por eles. Royce é aquele tipo de pessoa que te ama não importa o que os outros dizem, que prova esse amor, oferece ajuda e faz de tudo para te fazer feliz. Ele é maravilhoso demais, eu já amo ele!!!
Os amigos de Jas também aparecem bastante e foi lindo ver o apoio que eles dão a ela nessa situação, mas infelizmente não podemos esquecer o quanto ainda existem pessoas preconceituosas, racistas, que gostam de humilhar os outros por causa de sua cor, de suas origens e o livro não está isento disso. É triste mas é a verdade, ainda mais nos EUA onde as pessoas são mais individualistas, onde acham que os imigrantes estão roubando seus empregos… mas vamos ser bem sinceros? Ninguém que é de fora consegue grandes empregos ou cargos nos Estados Unidos. A mãe de Jas e o pai dela mesmo tendo feito faculdade na Filipinas, acabaram tendo que trabalhar como motorista de ônibus e como zeladora de hospital, limpando a bunda de pessoas doentes. Isso é roubar o emprego deles? Quando eles só dão empregos horríveis para os imigrantes e ficam com os melhores? Não seríamos todos iguais? Aff… é um assunto que me deixa muito chateada porque eu só penso que todos somos seres humano, acima de tudo, não devíamos definir as pessoas por outras coisas além disso.
Melissa de la Cruz também fala sobre o processo de deportação já que é uma realidade que muitos imigrantes tem que viver. O que mais me revolta é que por anos essas pessoas trabalham no país, se esforçam para conseguir estudar e serem melhores, mas é só alguém descobrir que não são cidadãos americanos que de repente tudo o que eles fizeram antes não entra mais na conta. Eles são considerados criminosos, comparados a assaltantes, pessoas que fazem coisas horríveis e fica esse questionamento: será que somos melhores dos que os outros por termos o privilégio de termos nascido em um país?
Enfim, pra essa resenha não ficar maior do que está só quero comentar que o livro é também um relato da autora que também é filipina, imigrante e que somente depois de 28 anos morando no país, e depois de ter se casado, é que ela conseguiu a cidadania americana. Triste né?
A história de Jas e sua família é maravilhosa e representa a história de muitas outras pessoas por aí. Eu fiquei encantada com esse livro. A narrativa da autora é muito leve, traz esses questionamentos a nossa mente e nos dá muito no que pensar. Eu nem preciso indicar para vocês né?
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26 comentários em “Um lugar para mim – Melissa de la Cruz | Resenha

  1. Oi Mi. Quando vi tua publicação no IG sobre esse livro achei que era mais uma história bonitinha, sem muita emoção, mas é totalmente o contrário e quero/preciso ler o quanto antes. Nunca li um história sobre imigração e possibilidade de deportação e acho que condiz muito com a realidade vivida por muitas pessoas/famílias nos EUA e outros países.
    Adorei a resenha e já inclui na minha lista de desejados que só cresce, hehehehe
    Beijos
    http://espiraldelivros.blogspot.com/

  2. Olá, Miriã.
    Eu ainda não conhecia esse livro e me interessei bastante. Acho esse tema bem bacana de ser abordado e não lembro de ter lido nenhuma história com ele. Infelizmente muitas pessoas se acham melhores que outras por sua nacionalidade, e as vezes são essas pessoas que fazem o trabalho que eles não querem fazer.

    Prefácio

  3. Concordo com vc, também apoio desenvolvimento e projetos para dar assistências às pessoas, sejam elas de qualquer nacionalidade, classe ou cor. Quando Haitianos vieram para o Brasil, muitas pessoas diziam que eles tirariam nossos empregos e estavam ocupando um espaço que era nosso, e mesmo não conhecendo, não tendo contato ou mesmo sendo amiga de algum haitiano, eu sempre os defendia, achava um absurdo algumas coisas que eu ouvia sobre eles.
    Eu amei a sua resenha, amei a premissa do livro, e amei essa capa <3 Será que o livro entrou mesmo para a minha lista de futuras leituras? Com certeza, haha.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

  4. Oi, Leslie
    Acho que a nossa empatia com o outro vem muito mais acima do que as pessoas são definidas. Eu fico triste e chocada com tanto preconceito por parte das pessoas. Me lembra os venezuelanos que passaram pela fronteira e tiveram seus pertences queimados por causa da intolerância brasileira. É um povo muito extremista, e é triste demais essa situação.

  5. Oi Mi, sua linda, tudo bem?
    Gente, onde estava esse livro que não conhecia? Também nunca li nada com o enredo de imigrantes, é um problema super atual e que poucos livros retratam. Ah, Mi, em se tratando do ser humano, tudo é falta de respeito, de tolerância e por aí a lista continua infinita, resumindo: falta de amor!!!! Vou colocar o livro na minha lista, preciso ler também. Adorei sua resenha!!!
    beijinhos.
    cila.
    https://cantinhoparaleitura.blogspot.com/

  6. Oi Miriã!
    Não sabia que esse livro era tão lindo como até ver suas fotos. Já tenho visto ele por aí, mas acho que chegou a hora de adiciona-lo na minha longa lista.

    Sua resenha também contribuiu muito para minha decisão. Gosto muito de romance e da categoria jovem adulto. E, quando o livro nos faz refletir é melhor ainda!

    Até mais!
    Lídia
    https://www.depoisdaleitura.com.br

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