Oi, meu nome é Nina (ou melhor… Marina).

Eu sou violinista em uma orquestra famosa (#SóQueNão, sou do mundo corporativo e estou prestes a assumir a empresa do meu pai).
Sou uma taurina que ama aventuras (… pela tv, no aconchego do sofá da sala).
E meu espelho é abarrotado de post-its da minha psicóloga, que tentam fazer eu me encontrar no meio da bagunça que virou minha vida.
A real… e também a fake, que inventei por causa de um cara.
Tá, essa parte é verdade.
Só que as coisas saíram do controle e tomaram uma proporção muito maior do que eu imaginava! E não sei se há post-it nesse mundo que possa me salvar desde que descobri que sou espécie estranha de imã de término pré-casamento para todo mundo que namoro.
Pois é, está achando complicado? Você ainda não viu nada…

Marina Portella está há um passo de se tornar diretora da empresa de seguros da família, assim como desejou seu falecido pai. Só que apesar de estar se preparando a vida toda para este momento, Marina não está de fato animada para a posse.

Atrás de novos ares, em uma viagem de negócios ao Canadá, ela resolve seguir o conselho de Otto, seu melhor amigo, e tentar ser mais leve e despreocupada, deixar as coisas fluírem e dizer sim as novas oportunidades. Mas a viagem dá malditamente errado. Um furacão acaba prendendo Marina em Miami, a fazendo perder a convenção tão importante para a empresa.

Depois de alguns ataques de pânico em um país estrangeiro, Marina se hospeda no hotel da companhia aérea até que possa voltar de vez ao Brasil. E é lá que as grandes oportunidades surgem quando ela esbarra com Zac, um homem lindo que está hospedado no mesmo andar que ela.

Após um encontro diferente, ambos acabam conversando através de bilhetinhos, e assim Zac chama Marina para uma rápida saída.

Mas a Marina, a certinha e preocupada Marina, nunca faria isso. Ela não aceitaria sair com um completo desconhecido em meio a um temporal. Mas o que a Nina faria? Se deixando levar pelas palavras de seu melhor amigo, é aí que a nossa protagonista entra na maior confusão quando resolve ser outra pessoa.

Já imaginam bem como essa história vai se desenrolar né? Uma mentira (im)perfeita é aquele tipo de livro que vai te agoniando ao chegar ao fim porque sabemos que toda essa trilha de mentiras vai acabar implodindo, e nessa história as coisas não são diferentes.

Marina entra em cada situação nada a ver para sustentar o que ela criou que chega a ser cômico se não fosse tão trágico. Ela se deixa levar por Zac, em suas ideias de diversão, e acaba fazendo coisas que ela nunca imaginou que fosse fazer, o que foi divertido a princípio, mas com o passar do tempo, passou a me incomodar. Será que a mulher não conseguia ser sincera um momento e falar pro homem que não queria fazer tal coisa? É aí que eu fui percebendo que a Marina estava tão perdida dentro da própria mentira que ela nem sabia quem realmente era, e que leva um tempo até ela começar a perceber isso.

Então o livro é muito mais do que um chick-lit clichê, é sobre autoconhecimento. A protagonista precisa entender quem é a Marina de verdade, e com a ajuda de Otto e sua terapeuta Cristina, as coisas podem começar a ser resolvidas. Mas leva um tempo viu? E até lá a Marina vai se enganar e quebrar a cara muitas vezes, mas no final compensa vê-la segura de si.

O livro tem uma boa ambientação no Rio de Janeiro e muitos dos lugares que a autora narra são fáceis de você se inserir. A escrita da Beatriz também colabora para isso. Narrado em primeira pessoa, conhecemos os pensamentos sarcásticos da protagonista, que com muito bom humor nos conta sua história.

Otto é aquele amigo pau para toda obra, um dos grande incentivadores de Marina, mas também o primeiro a apontar quando ela se precipita e está errada. Cristina serve mais como uma voz da consciência, fazendo a refletir sobre suas atitudes e Zac… é aquele famoso clichê de homem que surge certo no momento errado. Eu não gosto muito da vibe de cara natureba, que gosta de esportes radicais, mas até eu fiquei rendida pela simplicidade do personagem.

Uma mentira (im)perfeita é um clichê que brinca com a ideia de criarmos uma vida fake. Uma vida melhor, com um eu perfeito e diferente do que estamos acostumados, que no final só nos deixa inseguros e não nos faz bem. Entender a mente de Marina nessa jornada foi muito interessante e eu adorei acompanha-la. Recomendo demais!

Uma mentira (im)perfeita | 360 páginas | Editora Bendita | 

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