Crescemos acreditando que se relacionar é algo fluido, intuitivo, naturalmente descomplicado. Qualquer comportamento que saia desse pressuposto já acusa que há algo errado – conosco ou com o outro. O resultado disso é um misto de expectativas irreais com frustração. A infância confirma essa idealização romântica nos filmes onde princesas estão sempre vivendo situações de perigo à espera de um príncipe invencível que possa salvá-las. Seria muito mais fácil se nos fosse ensinado, desde criança, que não existe príncipe encantado – existem pessoas reais, com bagagens, medos, anseios e, claro, qualidades. Os dragões que cospem fogo não são nada além de nós no ponto alto de nossos próprios traumas. Não somos indefesas e não há ninguém fora que possa mudar a nossa realidade interna, isso é trabalho de cada um. Só quando aprendemos a encarar a realidade, somos, enfim, livres. O amor é uma experiência multissensorial. Calor e frio, paciência e raiva, negação e aceitação, importância e irrelevância. Se ele fosse um alimento, certamente teria um sabor agridoce. Este livro, apesar de ter sido criado pensando nos questionamentos femininos na hora de se relacionar, se destina a todos aqueles que querem, simplesmente, compreender como é possível se relacionar de forma mais independente, forte e inteligente – consigo e, claro, com o outro –, desvendando os mistérios da linguagem a dois.

O amor deveria ser algo fácil, mas nós, seres humanos, cheios de inseguranças e ansiosos por aceitação, complicamos as coisas.

Em Faça o amor ser fácil, a autora vai conversar conosco, principalmente nós mulheres, sobre a ideia irracional que nós temos do amor, a forma exacerbada que procuramos relacionamentos rasos e o quanto nossa falta de amor próprio contribui para o fracasso dessas relações, e aumenta mais ainda nossas inseguranças.

De forma leve, sarcástica e bastante assertiva, a Thamires nos mostra que idealizamos relacionamentos perfeitos, duradouros, sem nenhum problema, e quando estes mesmos começam a aparecer, na maioria das vezes fechamos os olhos e fingimos não enxergar os sinais de que as coisas não estão bem.

Ás vezes estamos tão preocupados em sermos aceitos que acabamos não nos aceitando, nos moldando diante de uma sociedade que já prega que nós mulheres precisamos ter um papel, que hoje, nos dias atuais, já não nos cabe mais. E o processo para a libertação e auto conhecimento não é tão simples, mas com alguns conselhos em uma conversa franca, a autora diz que sim, podemos alcançar isso.

Uma das coisas interessantes que o livro aborda em suas poucas páginas, é a forma como as relações em si, não somente homem e mulher, tem mudado ao longo do tempo. Em uma era em que “quem correr atrás” primeiro perde, e mostrar indiferença é quem ganha, percebemos que nós estamos mais preocupados com números, seja curtidas, views e afins, e menos com a conexão em si no famoso “jogo do amor”. Fragilizamos um laço que deveria ser forte, e ao longo do tempo essa fragilidade só é mais escancarada ao vermos tantas pessoas pulando de relacionamentos em relacionamentos, sem de fato procurar profundidade.

A ideia de querer alguém perfeito e procurar essa perfeição em homens que obviamente não nos valoriza e nos dá apenas migalhas de atenção mostra o quanto o nosso amor próprio está em falta. E não é errado se colocar em primeiro lugar! É preciso saber dizer não, impor limites. Quem te ama de verdade vai embarcar nas suas ideias, e não somente gravitar à sua volta esperando uma oportunidade de te usar.

São tantos ensinamentos interessantes e que conversam com você que o leitor facilmente absorve o que o livro propõe. Não é meu tipo ideal de leitura, mas eu gostei de arriscar e ler algo diferente, e de quebra, acabei me surpreendendo positivamente. Recomendo muito para quem precisa de um outro viés sobre a forma como lida com as suas relações pessoais.

Faça o amor ser fácil | 128 páginas | Editora Opala | Livro cedido em ação

24 anos. Ama escrever e falar pelos cotovelos.
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2 comentários em “Faça o amor ser fácil – Thamires Hauch | Resenha

  1. Olá, Miriã.
    Acredito que o que mais dá errado em um relacionamento é a gente querer buscar algo que não temos. A gente sempre quer que o outro faça a gente feliz, que o outro faça isso ou aquilo e esquecemos de nos amar antes de tudo. Mas acredito que não leria esse livro porque prefiro ler ficção hehe.

    Prefácio

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