Teto para dois – Beth O’Leary | Resenha

Eles dividem um apartamento com uma cama só. Ele dorme de dia, ela, à noite. Os dois nunca se encontraram, mas estão prestes a descobrir que, para se sentir em casa, às vezes é preciso jogar as regras pela janela.
Três meses após o término do seu relacionamento, Tiffy finalmente sai do apartamento do ex-namorado. Agora ela precisa para ontem de um lugar barato para morar. Contrariando os amigos, ela topa um acordo bastante inusitado.
Leon está enrolado com questões financeiras e tem uma ideia pouco convencional para arranjar dinheiro rápido: sublocar seu apartamento, onde fica apenas no período da manhã e da tarde nos dias úteis, já que passa os finais de semana com a namorada e trabalha como enfermeiro no turno da noite. Só que tem um detalhe importante: o lugar tem apenas uma cama.
Sem nunca terem se encontrado pessoalmente, Leon e Tiffy fecham um contrato de seis meses e passam a resolver as trivialidades do dia a dia por Post-its espalhados pela casa. Mas será que essa solução aparentemente perfeita resiste a um ex-namorado obsessivo, uma namorada ciumenta, um irmão encrencado, dois empregos exigentes e alguns amigos superprotetores?

Fazia tempo que eu não me empolgava tanto com um romance, e acho que depois de ler Um amor de inverno, Teto para dois complementou da mesma forma o sentimento de satisfação que o outro livro havia proporcionado. Aqui vamos conhecer Tiffy, uma editora de livros que precisa desesperadamente de um novo lugar para morar. Isso porque ela vem dividindo o apartamento com seu ex-namorado Julian, e a situação tem se tornado insustentável. Após ver vários anúncios de apartamentos igualmente ruins ou piores, ela acaba aceitando um inusitado acordo com Leon. 
Leon é um enfermeiro que trabalha no período da noite em uma causa de repouso. Por precisar de uma grana extra, ele resolve sublocar sua casa, só que o lugar é tão pequeno que só cabe uma cama. Então além de dividir o apartamento, Leon e Tiffy também dividirão a cama. Estranho, né? Mas como ele trabalha a noite, e ela no período da manhã, isso manteria o acordo já que ambos nunca se encontrariam. E aos finais de semana, Leon passaria na casa da namorada (um tanto quanto ciumenta) Kay.
Em uma narrativa dividida entre os dois pontos de vista, iremos compreender como a rotina desses dois personagens irão se enredar tanto. Através de recados em post-its deixados após o turno um do outro na casa, Tiffy e Leon se tornam amigos. A autora modificou as narrativas para ambos os personagens. A da Tiffy é o famoso primeira pessoa, e apesar do Leon também ser, a dele é um pouco diferente, mais como se fosse um roteiro sendo destrinchado a cada cena. Fica confuso essa minha explicação, mas se vocês lerem, vocês vão entender. Tive um pouco dificuldade com a narrativa dele justamente por não ser tão usual, mas achei criativo e acabei me acostumando com o rolar das páginas.
É estranho imaginar que ambos os personagens nunca se viram até metade da história. O livro tem 400 páginas, então imagina quanta coisa acontece… mas se você acha que a história se torna lenta, muito pelo contrário. Ela não é agitada ao ponto de ser frenética, mas tem um crescendo latente ao longo da leitura. No fim, fica impossível não torcer para esse casal tão improvável e mais ainda por um encontro entre os dois. Eles são tão diferentes, mas se complementam de tantas formas. Onde Tiffy é escandalosa, Leon é reservado. Ela é faladeira, ele é mais taciturno. E bum, do nada eles se chocam e toda essa história fica mais ainda interessante.
Mas se tem uma coisa que eu amei de verdade, foi a forma como ela tratou o relacionamento abusivo. Na sinopse isso já é posto para o leitor, mas quanto mais a gente lê, menos vamos entendendo o porque da autora ter feito isso. Até que acontece… de forma lenta e gradativa, o leitor vai descobrindo, assim como Tiffy, situações onde o relacionamento abusivo acontecia. Quanto mais vamos chegando ao fim das páginas, mais a coisa se torna tensa. É basicamente mostrar a uma vítima de assédio nuances de onde ele acontece e como. O leitor não percebe de início, assim como Tiffy também não percebia, mas de alguma forma, ele está lá e vai se transformando em algo assustador. O assédio (ou relacionamento abusivo, no caso) é algo sutil, que é posto a vítima sem que ela perceba. E a autora trabalhou isso da mesma forma. No começo da leitura não entendemos onde Julian é abusivo, até que vamos percebendo quem realmente ele é juntamente com Tiffy, e também seu processo de cura e superação (que nunca é fácil, mas é necessário).
Outra coisa que eu adorei foi que a autora não tacou o arco do irmão do Leon e deixou subdesenvolvido. Na verdade, esse plot é algo que está sendo trabalhado ao mesmo tempo que o romance entre o casal. Ela não abordou isso na trama somente para encher páginas, o que é um ponto muito a favor dessa história, que apesar de ter essa capa linda e fofa, não é só feita de superficialidade.
E também não é só de drama que Teto para dois vive! A autora conseguiu trazer temas complicados e muito bem trabalhados, ao mesmo tempo que trouxe suavidade a obra. Eu fiquei apaixonada com esse paradoxo, e por isso gostei tanto da obra. Comi a história em dois dias e é um dos favoritos do ano, porque apesar de não ser um livro tipo TOTALMENTE IMPACTADOR, consegue de forma simples e suave tocar nosso coração e nos deixar ensinamentos. Eu super recomendo!

Teto para dois | 400 páginas | Editora Intrínseca | Nota: 5/5

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13 thoughts on “Teto para dois – Beth O’Leary | Resenha

  1. Oi, Mika!
    Estou lendo esse livro no momento e já estou torcendo muito pelos dois, apesar de que eles nem se encontraram ainda hahaha
    Demorei um pouquinho pra me acostumar com a narrativa da visão dele, mas agora estou achando bem legal. Uma forma diferente de diferenciar os dois, né? Espero gostar da leitura até o final.
    Beijinhos,

    Galáxia dos Desejos

  2. Olá, Miriã.
    Acabei de ler uma resenha desse livro. E eu que já estava na vontade de ler ele, fiquei ainda mais empolgada. Gosto muito de quando os autores conseguem a façanha de falar sobre temas tão difíceis de uma forma leve que não deixa o leitor desconfortável. Assim que der vou ler ele.

    Prefácio

  3. Oiii Mi

    Esse livro é maravilhoso, uma das minhas melhores leituras do ano, a estória me empolgou tanto e eu adorei tb como a autora abordou toda a relação anterior da Tiffy e aquele ex babaca dela, ficou natural, leve e fácil de entender e sentir empatia pela Tiffy, achei bacana a autora não ter pesado demais no drama, permitindo que a gente pudesse sim se envolver com todos os conflitos da trama sem ficar sofrendo, mas ao contrário, ainda assim torcer e se empolgar pela Tiffy e pelo Leon (ah e como torci pela amiga advogada também, achei ela bem hilária)

    Beijos

    http://www.derepentenoultimolivro.com

@blogcapitulotreze

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