Um casamento perfeito ou uma mentira perfeita? Grace é a esposa perfeita. Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa e agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. É casada com Jack, o marido perfeito. Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Os dois formam um casal perfeito e estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com ele, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento ideal. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na janela do seu quarto? O que há por trás dessa relação pode revelar que tudo não passa de uma grande mentira.
Thriller Psicológico | 266 Páginas | Editora Record

Em “Entre Quatro Paredes” somos apresentados a vida de Grace com seu marido Jack, suas relações e jantares com amigos do casal e claro, a vida perfeita sem brigas. Esther, uma mulher sempre presente na vida social dos protagonistas, desconfia muito dessa suposta perfeição e está a todo custo tentando achar defeitos neles ou em sua relação.
Como leitores, e como aponta a própria sinopse, é difícil permanecer acreditando em tudo e não ter dúvidas e questões. Fiz suposições do que poderia não estar sendo revelado de obscuro por trás da relação tão apaixonada e “arrumada” deles, do apego e dedicação de Grace por seu marido. O nosso primeiro pensamento é supor que ela sofra algum tipo de abuso, mas a trama vai muito além disso, e é difícil acertar o que realmente há de errado nesse casamento.

O Plot Twist não demora muito a acontecer, e o livro passa uma grande tenção, apesar de sua narrativa leve. Um ponto negativo na descoberta do mistério é o fato de a autora ter criado alguma justificativa para a mente perturbada do personagem. Esclarecendo algumas coisas, não é algum passado perturbado que faz com que tente humanizar ou justificar seus atos, mas sim uma fonte de onde vem suas ações. Foi um grande erro de B. A Paris fazer isso porque ficou mal pensado, apressado, sem nexo e surreal. Deu a impressão que ela escreveu a primeira ideia que veio a cabeça, ou fez de qualquer jeito apenas para explicar as coisas. Se tivesse deixado isso de fora, se o problema fosse o personagem ser “simplesmente” perturbado ou um psicopata, seria suficiente. Ela não precisava ter tentando explicar, simples assim.

O livro peca em muitos aspectos, porém acerta em muitos outros. Há furos na história, o que faz com que duvidemos cem por cento se certos detalhes realmente se encaixam, porém são detalhes e que não tiram tanto a qualidade da história, já que a mesma é bem escrita e, para compensar o que não foi bem elaborado, há questões que mostram um grande trabalho da autora.
A narrativa é intercalada entre passado e presente, sendo as situações do passado contadas pela protagonista. Nessa história, a descrição não cronológica funciona muito bem, já que com o passar dos capítulos o passado vai se encaixando de forma coerente com o presente, dando um maior aprofundamento no relacionamento do casal e ajudando para manter o suspense e a curiosidade do leitor já que alguns capítulos terminam em seu ponto alto e não teremos já a continuação dele, não conseguindo largar o livro para obter as respostas.
As ultimas páginas do livro acontecem de uma forma sutil, e apesar de ser desenvolvida de forma simples, causa um grande choque ao leitor, deixando-nos boquiabertos, visto que a autora já havia trabalhado anteriormente para o desenrolar poder acontecer da forma que é, mostrando assim o quanto a autora foi engenhosa nesse aspecto.
Então, apesar de ser um livro que contém seus defeitos, ele não deixa de ser bom pelos sentimentos que desperta no leitor e por B. A. Paris mostrar que apesar de não conseguir lidar bem com alguns detalhes, desenvolve muito bem outros.
24 anos. Ama escrever e falar pelos cotovelos.
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