Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece.

O meu foi um músico de rua que entrou com tudo na minha alma.
Ele foi meu primeiro em tudo. E mesmo depois de catorze anos, ainda não o esqueci.
Ele quebrou todas as minhas regras. E o meu coração.
Eu assisti sua ascensão, torcendo de longe. Fui uma garota apaixonada, não uma fã.
Ele explodiu como um meteoro, deixando um rastro de destruição para trás.
Mas o amor vence sempre, não é? Tem de vencer. Porque aqui estou eu, devastada, arruinada, precisando acreditar que isso seja verdade.
Desejo poder voltar no tempo. Voltar ao parque. Voltar na época em que ele cantava só para mim. Antes de ficar famoso. Antes de partir o meu coração.
Pensei que o conhecia bem.
Mas me enganei.
Ele me prometeu todos os amanhãs.
E aqui estou eu…
Esperando.
Torcendo.

O livro aborda conteúdo sensível que pode gerar gatilhos.

Piper sempre foi uma garota certinha. Com apenas 21 anos, ela já tem um emprego estável e uma vida confortável no porão da casa dos pais – apesar de isso não ser o seu maior sonho da vida. Mas a sua rotina muda drasticamente quando Piper conhece Evan “Blue”, um músico de rua.

Blue, com seus cabelos longos, tatuagens e olhar atormentado, que toca todos os dias no mesmo parque em que Piper passa seu horário de almoço, é um homem envolvente, mas muito misterioso. Quando eles eventualmente passam a conversar e a se conhecer melhor, Piper descobre que Blue não é somente um músico errante, mas também um sem-teto.

Apesar de todo o incômodo que essa situação traz a vida de Piper, ela não consegue deixar de se envolver com ele. E em pouco tempo eles acabam se apaixonando… mas um relacionamento com Blue é difícil e sem garantias. Ele não tem casa, celular ou formas de fazê-la sentir segura. E o fatídico dia em que Blue vai embora, ele deixa Piper, seu cachorro e um coração quebrado sem pensar duas vezes.

Como se não houvesse amanhã é bem o típico livro que envolve músicos e bandas de rock. Se você já leu algum deles, com certeza você vai entender bem a fórmula que temos aqui. Mas apesar disso, a autora consegue trazer um nível de profundidade bem diferente do que estamos acostumados.

Piper é bem aquela mocinha meio boba, sem muitas referências, que se doa mais do que recebe ajuda. Esse amor incondicional que ela tem com Blue foi algo que me incomodou ao longo da leitura. É lindo ver as reservas e preconceitos que ela tem sobre ele ruindo no início da história. O amor deles nasce de maneira lenta, mas bastante potente. Porém, depois do derradeiro fim, a gente imagina que ela vá crescer um pouco depois de tanta decepção, mas não é bem isso que acontece. Piper é tão apegada emocionalmente a Blue que é só ele voltar a vida dela, que ela literalmente corre para os braços dele… tipo, zero amor próprio.

Eu entendo que a autora quis fazer de Piper um alicerce para Blue e toda a sua confusão, mas chega num ponto que as concessões que ela faz acabam por irritar o leitor. É claro que em alguns momentos ela consegue impor um pulso firme nas atitudes dele, mas em 90% Piper é refém de seus sentimentos.

Blue é um cara bastante complicado. O mistério envolvendo-o dura por boa parte da trama e somente no final iremos entender algumas coisas que aconteceram durante a história. É fato que ele lida com algum tipo de problema, e eu nem estou falando das dependências químicas. Acredite, é muito mais do que isso. Não quero falar muito para não dar spoiler, mas é o tipo de coisa que nos compadece e explica muitas situações anteriores…

Mas antes dessa revelação acontecer, posso afirmar que o personagem é uma massa constante de momentos bons e ruins. Ele tem vários problemas com compromisso (e outros também), e usa as drogas para lidar com eles. Graças a Deus a autora não aborda muito o tema, então não é algo que vai ser escancarado na trama, mas você percebe que está ali. E assim… o fato de Blue não saber lidar com as coisas o torna um grande covarde. Ele simplesmente não procura ajuda e fica levando Piper ladeira abaixo sempre que aparece em sua vida.

E se tem uma coisa que me irritou foi justamente isso. Eu entendo que ele tem problemas, coisas que justificam suas ações, mas eu percebi que a autora tenta vender a ideia de que “o amor resolve tudo”. Piper e Blue tem uma relação tóxica, conturbada, cheia de altos e baixos e mesmo depois de cada decepção, a gente sempre via Piper dizendo “eu amo ele e vou lutar por ele até o fim”. Mas o quanto isso não custou a sua saúde mental?

Gosto de livros com finais felizes, mas a que custo essa felicidade vem? Me parece um tanto irresponsável criar uma história em que você vende que o amor é maior que todos os problemas, sendo que na vida real, nem sempre o amor consegue suportar tudo.

Então apesar de ter amado a forma como a autora abordou toda a história, eu fiquei bastante ressabiada com essas coisas que fui percebendo ao longo da leitura. Existem personagens que mostram que a vida que Piper escolheu seguindo Blue em sua montanha russa não é saudável, mas é claro que se estamos num romance, o bem sempre vence e o mal perde. Mas eu quero ressaltar que a realidade não é enfeitada dessa forma e que muitas vezes as pessoas perdem suas vidas lutando por relações difíceis e que as consomem.

Outro ponto negativo é que o livro é muito grande. Poderia ter umas duzentas páginas a menos, e também achei confusa a passagem de tempo. Às vezes passavam três semanas ou um ano e a gente só percebia no meio do capítulo.

No mais, a escrita da Carian é muito carismática e convidativa. É um livro que você lê rápido, instigado a descobrir os segredos que a autora foi escondendo a cada página. E ela fala de um tema tão importante que deveria ter mais livros sobre. Como eu conheço um caso bem parecido com as coisas que Blue passa, eu consegui entender bem o que a autora quis passar, e acho totalmente necessário!

Por isso, apesar das ressalvas, é uma história que recomendo porque além do romance consegue trazer muitos ensinamentos e reflexões.

Como se não houvesse amanhã | 591 páginas | Editora AllBook

24 anos. Ama escrever e falar pelos cotovelos.
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