Em um mundo no qual a loucura se propaga como uma peste, seis pessoas, unidas pelo único propósito de manterem suas sanidades intactas, enfrentam as mazelas de uma sociedade que, embora desigual e corrupta, renega seus privilégios e castiga, pela primeira vez, todos os indivíduos sem qualquer distinção de classe. No entanto, o famigerado senhor Montes, dotado de uma sorte tão grande quanto sua maldade e seu dinheiro, sempre muitíssimo mais preocupado consigo mesmo do que com os outros, traz a narrativa um caráter fúnebre e amedrontador, que supera em grande escala o tão justificável medo da insanidade.

Livro cedido em parceria com o autor para uma resenha sincera 


De repente, pessoas comuns começaram a agir de forma estranha, a se jogar de prédios, atacando outros nas ruas. A suspeita é que um vírus altamente modificado estava assolando a população, tornando-as loucas e as fazendo cometer barbaridades.


Aos poucos vemos o mundo que conhecemos virar quase pós-apocalíptico. Os hospitais cheios, a população perecendo de fome, sem dinheiro, algo que tragicamente reflete o que estamos vivenciando agora com a pandemia do corona vírus.

O interessante desse livro é ver o olhar cínico que Ignácio, nosso protagonista, tem ao lidar com essa situação. Ele, um empresário rico e cheio de privilégios, não sofre da mesma forma que os mais desafortunados. Tendo poder e não sendo afetado pelo vírus da loucura, Ignácio está em uma posição confortável boa parte da trama. E nem mesmo ao visualizar tantas pessoas morrendo, ele tem um olhar empático sobre o que está acontecendo.

Então sim, o protagonista não é uma pessoa fácil de você gostar. Pelo contrário, é justamente o fato dele ser detestável que o torna mais interessante ainda, e até me fez torcer um pouco contra ele.

O livro é narrado em terceira pessoa através de um narrador observador, que traz comentários bastante reflexivos através de um olhar crítico, sobre todas as questões que acabam sendo levantadas nesta história.

Entretanto, eu senti que apesar da temática ser muito interessante, a narrativa não é tão fácil de absorver e você precisa de um pouco mais de paciência para entender. Os comentários abruptos que quebram a narrativa do personagem deixam o leitor um tanto confuso. Outro problema que também pode estar atrelado a revisão. As falas não são sinalizadas com aspas ou travessões, o que deixam o texto corrido e assim é mais fácil ainda se perder durante a narrativa. 

Apesar disso, o livro é muito envolvente e consegue prender você de uma forma única. É incrível ver como o autor conseguiu explorar uma boa distopia e aproximá-la tanto da vida real. Recomendo!

 A terra dos loucos | 161 páginas | Publicação independente


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3 comentários em “A terra dos loucos – Honorário Batista | Resenha

  1. Olá, Miriã.
    Esse negócio de não sinalizar as falas sempre me confunde. Odeio quando fazem isso hehe. E achei a sinopse interessante, mas para ser lido em um outro momento. Não agora que estamos passando por algo parecido hehe.

    Prefácio

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