Sophie anda ocupada demais cuidando da família e não tem tempo para correr atrás dos próprios sonhos. Sem formação acadêmica, como os parentes ― egoístas, gananciosos e falidos ― constantemente adoram ressaltar, a jovem parece se encaixar mais no papel de empregada da casa do que de membro da família Apperly. Em visita a um tio distante, ela descobre que seus antepassados um dia possuíram um poço de petróleo nos Estados Unidos e que talvez ainda valha algum dinheiro. O que seria a solução para os problemas financeiros de todos.

Sem nada a perder, Sophie deixa a Inglaterra rumo a Nova York disposta a resolver esse mistério. Mas o destino a coloca no caminho de Matilda, uma adorável e geniosa senhora que não mede esforços para conseguir o que quer. A conexão entre as duas é imediata, o único problema é o neto dela. Arrogante, esnobe, irritante e ridiculamente rico (e lindo), Luke não vê com bons olhos essa amizade e vai fazer o que puder para impedir que Sophie se aproxime demais do coração de sua avó. Se ao menos ele tivesse tido o mesmo cuidado com o próprio coração…

O que acontece quando Cinderela encontra na vida real o príncipe-não-tão-encantado-assim e ambos percebem que mundos tão diferentes nunca se encaixarão?

Sophie é uma jovem de apenas 22 anos cheia de planos e sonhos. Mas infelizmente o fato de não fazer uma faculdade faz com que a família a julgue como uma inútil. Cansada de resolver todos os peninos dos pais e irmãos e ainda por cima sequer ser reconhecida por isso, quando Sophie tem a oportunidade de ir para Nova York visitar uma amiga distante, ela não vê problema em aceitar. Talvez a distância mostre a sua família o quanto precisam dela.

Mas os planos de Sophie quando chega à cidade dão malditamente errado, e agora ela se vê sem dinheiro e tendo que dividir a cama no minúsculo apartamento de sua amiga no Uper West Side. Até que conhece Maltida, uma senhora rica e generosa, a quem Sophie socorre de um desmaio. Maltida fica tão encantada pela garota que a convida para passar o feriado de Ação de Graças com ela e a família em Conneticut. Mas quem não gosta nada dessa aproximação entre as duas é Luke, o neto de Matilda, que acha Sophie bastante excêntrica e uma aproveitadora de velhinhas.

Uma proposta irrecusável é um livro bem diferente do que eu estava imaginando. Primeiro ponto aqui é a narrativa da Katie, que é bastante direta e pontual, o que deixa pouco espaço para um desenvolvimento maior dos acontecimentos do livro. É aquele tipo de escrita que fala que algo vai acontecer e no parágrafo seguinte a coisa já aconteceu. Não que isso seja ruim, mas achei bem estranho comparado as outras leituras que já fiz.

Outro ponto é que a história é bastante linear. Não é tipo aqueles livros da Sophie Kinsella em que tem vários acontecimentos divertidos e absurdos, mas apesar de ter alguns arcos interessantes, as coisas acontecem de forma “calma” e harmônica, sem muitas reviravoltas ou porquês. Talvez isso seja por causa da narrativa também.

Mas falando dos personagens, Sophie é uma garota sensível, gentil e muito dedicada a tudo o que faz. E por causa disso que a família dela deita e monta encima, porque ela aceita tudo sem questionar e não sabe se impor em momento algum. E pior, a tratam como uma criança pelo fato de ter escolhido não fazer faculdade, como se isso fosse um atestado de inutilidade, e ainda por cima com condescendência porque é uma mulher. São vários comentários do pai e irmão a respeito das atitudes de Sophie que são machistas e escrotos, e a mãe a vê mais como uma empregada do que como filha.

Sophie poderia ter ser rebelado em vários momentos, mas tirando algumas tiradas momentâneas, ela nada faz pra mudar essa imagem que a família tem dela. É claro que ela vai à Nova York com a expectativa de fazer eles perceberem a importância dela, mas acho que ela só precisava dar um basta na situação e mandar todo mundo ir se foder pra conseguir isso.

Tendo dito isso, o livro não é sobre o crescimento da personagem, mas mostrar o quanto a personalidade irreverente de Sophie e a sua generosidade mudam a vida das pessoas que acabam tropeçando com ela, sem ela precisar mudar sua essência para isso. Tirando a família, tem vários outros personagem importantes como Moira, tio Edi e até mesmo Luke, que passam a ter uma visão diferente do mundo após conhecerem Sophie. Ou seja, é o jeitinho excêntrico dela que dá graça a história, e mesmo sendo feita de trouxa por todos, isso não é um defeito aqui.

Luke é um personagem que poderia ter aparecido mais. Ele é rude no começo mas depois vai amolecendo, só que eu acho que seria melhor se ele tivesse narrado alguns capítulos da história, assim seria mais fácil entendê-lo. Faltou diálogo entre ele e Sophie em alguns momentos e o jeito passivo dela também contribuiu para muita picuinha desnecessária.

Os arcos que a autora trouxe, a questão do petróleo e a da procura da casa de infância de Maltida, me pareceu meio jogados. Sabe quando o negócio não faz muito sentido, e você percebe que tá ali só pra juntar o casal no final? Ficou um pouco estranho pra mim, e pior que a falta de um epílogo deixou várias questões em aberto, um ponto negativo também.

Mas apesar das particularidades, eu gostei de acompanhar Sophie nessa aventura. Ela é divertida e fácil de você se apegar, e por isso a leitura passa tão rápido. Eu indico o livro pra quem precisa de uma história para desfrutar, que você vai lendo aos poucos sabendo que é uma leitura que não se deve esperar muito.

Uma proposta irrecusável | 403 páginas | Editora Record

24 anos. Ama escrever e falar pelos cotovelos.
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4 comentários em “Uma proposta irrecusável – Katie Fforde | Resenha

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